Como descobrir o que faz você feliz

Como descobrir o que faz você feliz

Você sabe o que faz você feliz? Digo, você realmente sabe?

Eis que a internet está cheia de textos e artigos sobre como ser feliz. Sobre quais atividades você deveria tentar fazer para ser mais feliz. Todos queremos ser felizes, afinal de contas. Eu mesma já li e ouvi muito sobre isso. Inúmeros podcasts, listas, livros como o famoso Projeto Felicidade, da Gretchen Rubin (inclusive, recomendo muito), enfim, se pipoca na minha frente, consumo a informação. Guilty pleasure.

Mas e se a gente não sabe o que nos faz feliz? No meu período de detox digital, fui obrigada (de verdade) a listar tudo o que me trazia felicidade, tudo o que eu gostava genuinamente de fazer, e me descobri perdida. É uma sensação de horror, admito. A gente se acostuma a levar a vida sem pensar realmente sobre o que estamos fazendo e, então, quando nos colocam em uma situação de reflexão forçada – aquela que não dá para deixar para depois –, a gente percebe que talvez o caminho que estamos trilhando não é o nosso ideal. A gente percebe que poderia estar fazendo mais por nós mesmos.

Por isso, por mais que a gente leia as sugestões de outras pessoas sobre como ser mais feliz, talvez se exercitar, meditar, tirar um tempo para si mesmo e fazer um spa caseiro não sejam coisas que contribuem muito na questão “felicidade”. Talvez para você passear com o seu cachorro, testar uma nova receita ou andar de pés descalços na grama faça mais sentido.

Entenderam o que eu quero dizer? A triste realidade é que a maioria de nós não sabe o que nos faz feliz. A gente não pensa sobre isso. Podemos listar rapidinho algumas coisas que nos deixam bem, mas com que frequência nos permitimos executá-las? E, pensando bem, qual é o significado delas? Se soubermos a origem do sentimento em cada atividade, fica mais fácil de repeti-las. Repetindo-as, fazemos mais disso. Somos mais felizes. É assim simples.

Decidi compartilhar com vocês os passos que me ajudaram a passar de uma “pessoa que gosta de pouquíssimas coisas” para uma “pessoa que sabe exatamente o que a faz feliz” e que, agora, está se policiando para fazer mais disso.

Desapegue da ideia do “vou ser mais feliz quando…”.

Em vários momentos da vida, eu já ouvi (e disse) coisas como “vou ser feliz de verdade quando eu emagrecer”, “seria muito mais feliz morando em tal bairro”, “se eu tivesse dinheiro como o fulano eu ia ser feliz”, “vou ser feliz quando tiver em tal posição em minha carreira”. Enfim, você entendeu a ideia.

Fato é que a nossa sociedade tem culturalmente uma ideia do que é felicidade. Desde cedo, a gente ouve sobre isso e essas ideias param em nossas cabeças como se fossem regras. Nós não percebemos, muitas vezes, e, quando percebemos, penamos para nos decidirmos (visto que envolve críticas, pensamentos mal resolvidos, etc.).

E, enquanto algumas dessas noções podem realmente nos fazer mais feliz (eu, por exemplo, priorizo a localização da minha casa), é muito importante que a gente se esqueça delas. Não interessa saber o que faz nossos pais, amigos, pessoas que admiramos, felizes. Somos únicos. Comece do zero (ou o mais próximo que conseguir).

Registre momentos que realmente fazem você se sentir feliz.

Sabe aqueles momentos “estou exatamente onde deveria estar”? Bom, isso não se refere apenas a uma localização geográfica, mas também a sentimentos. São aqueles momentos que você não quer que acabem. Momentos em que você não percebe o tempo passar.

Pois bem, faça anotações sobre eles. Estamos quase sempre com o celular, então é basicamente abrir as “notas” e escrever o que quer que você esteja fazendo. Ficou feliz em tomar um café com os amigos na tarde de sábado? Registre. Leva tão pouco tempo que eu juro que não corta o clima do momento em si. Juro. Então se você estiver lendo (ou passando os olhos no) meu texto, acredite em mim quando eu digo que essa etapa faz a diferença. Então faça.

Pense no porquê de tais momentos fazerem você feliz.

Vamos voltar para a situação do café com os amigos no sábado a tarde. Tendo-o simplesmente listado, sem pensar sobre o motivo do momento, pode simplesmente indicar a você que seria legal repetir o programa todos os sábados para buscar o momento de felicidade. Mas será que é isso?

Não parece, mas há muitas coisas que podem ter contribuído. Vamos tentar? Você gosta do café com os amigos no sábado a tarde porque:
1) é bom estar com os amigos?
2) você se sente relaxado no sábado após uma semana de trabalho intenso?
3) você gosta do ambiente com cheirinho de café?
4) você se sente mais bem sucedido pelo fato de que pode pagar por um programa desses?
5) você gosta de sair de casa?
Todas as opções acima?

Viu como em uma atividade pode ter várias características associadas? Isso quer dizer que, se você precisa de todos esses fatores para se sentir feliz, então, sim, convide os amigos para um café todos sábados à tarde. Porém, se você perceber que a parte mais legal disso é simplesmente estar com seus amigos batendo um papo, então poderá escolher qualquer dia da semana, qualquer lugar e qualquer atividade, contanto que eles estejam presentes.

Lembre-se do que fazia você feliz quando criança.

Crianças tendem a não analisar muito as situações. Elas fazem coisas não por serem cool, mas porque realmente gostam daquilo. Crianças não se deixam influenciar tão fácil. Elas também, normalmente, não se preocupam com dinheiro e dificuldades. Tudo é mais simples.

Então me diga: o que você fazia antes de se preocupar em ser bom o bastante? O que fazia você se entreter durante a tarde toda? Gostava de pintar? Gostava de andar de bicicleta? Gostava de desvendar a vizinhança? Pergunte para seus pais se for necessário (minha mãe lembrou que eu adorava dar aulas para a Camila, hehe).

Se fazia você feliz naquela época, por que não tentar agora?

Tenha em mente que “isso me faz feliz”.

Nessa altura, você já tem pelo menos algumas atividades e momentos listados, espero. Só que a moral de saber o que te faz feliz é justamente para que você faça mais disso.

O problema é que muitas das coisas requerem um pouco de ‘trabalho’. Por exemplo, eu adoro caminhar sem rumo pela cidade. Só que, para fazer isso, preciso me vestir, colocar um tênis confortável, passar o protetor solar e sair de casa. Seria bem mais cômodo substituir essa atividade que me faz feliz por outra que também me faz feliz, como é o caso de sentar na varanda com uma tigela cheia de frutas enquanto converso sobre a vida com meu namorado. Só que, se eu ficar fazendo apenas algumas das coisas que me fazem feliz, eu vou acabar ficando infeliz por me achar preguiçosa por não fazer as outras coisas. Deu para entender? E, mesmo excluindo a “preguiça” da consideração, cada atividade tem uma maneira diferente de nos influenciar.

Como eu faço para lembrar do que me faz feliz? Bom, eu registrei tudo. Tenho a lista em fácil acesso (evernote, te amo), então, quando eu estiver me sentindo perdida ou desanimada, eu abro a lista e vejo que ler alguns poemas desse livro enquanto tomo um copo de limonada me deixa muito feliz.

Além disso, quando estou vivenciando um momento de felicidade, eu aprendi a dizer para mim mesma “isso me faz feliz”. Estou comendo uma torta raw maravilhosa de chocolate com laranja? Isso me faz feliz. Vendi mais uma coisa que estava sem uso em casa? Isso me faz feliz. O dia está lindo e eu estou no parque tomando água de coco bem gelada? Isso me faz feliz. E por aí vai. Falar – ou pensar sobre – isso ajuda meu cérebro a entender o que é bom para mim e faz com que eu me sinta orgulhosa por estar prestando atenção no que me faz bem. Dizer a frase me lembra que o “trabalho” de colocar uma roupa, um tênis confortável e passar o protetor solar vale a pena.

Você sabe o que te faz feliz?

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  • Duane Buture

    Gente, que sintonia a nossa, hem Bru?! Caramba. Também sou VICIADA em consumir esse tipo de conteúdo. Mas acaba que a gente muitas vezes consome mais conteúdo sobre ser feliz do que é feliz de fato, né? Tenso. Por isso é tão importante a tomada de consciência, a noção de que aquele pequeno momento é sim felicidade. Gostei bastante da ideia das listas. Ultimamente ando tão perdida x.x vou juntar essa ideia com a do detox. Acho que vai dar certo! Obrigada pelas dicas <3
    Beijos!

    PS: O que acha da gente conversar por email? Por inbox eu sou meio lerda HAHAH. É uma ideia 🙂

    Bruna Zbk respondeu:

    Muita sintonia, Du! Que bom que gostou das ideias. Isso me ajudou muito, estou muito mais consciente de tudo, então espero que seja útil pra você também.
    E, ó, fico disponível pra qualquer coisa! 🙂
    Beijos!

  • Gabriela Dahmer Coitinho

    Meu Deus! Fazia tanto tempo que eu não devorava um texto com tanta vontade. Me senti tão bem lendo tudo isso e percebendo que, realmente, você está totalmente certa. Lemos muitos textos com dicas de como ser feliz que quase nunca paramos para refletir se aquilo realmente pode nos fazer feliz. Sempre que leio, é muito difícil todas as dicas me atraírem ou serem do meu agrado. Por exemplo, se me indicassem ir pra uma festa com os amigos, isso não me faz feliz, pelo contrário, me aborrece demais. E depois de ler seu texto que, aliás, está perfeito, percebi que, de uns tempos pra cá, quando comecei a fazer o detox na minha vida, no geral, eu comecei a perceber o que deixei de fazer com o tempo, tudo porque eu tinha a mania de querer me encaixar em tudo. Eu amo fazer trilhas e esportes radicais, me dá prazer, alivia minha alma e mente, todas as angústias se vão quando estou fazendo isso. Mas me pergunta se faço? Não. Sabe porque? Eu tenho amizades que não gostam disso. E quando finalmente me dei conta dessas coisas, abri os olhos pra realidade em que vivo a bastante tempo e me faz uma pessoa um tanto infeliz. Outro exemplo, eu já não gosto mais de beber tanto e encher a cara, passo muito mal, meu estômago não aguenta mais (amém! minha saúde agradece), e quando saio com minhas duas melhores amigas, elas ficam me enchendo o saco por isso, dizendo que estou velha, que tenho que beber leite e blá blá blá. Eu fico quieta, pois não quero brigar com elas. Mas são atitudes assim que me distanciam mais. Elas são me reconhecem mais e não conseguem compreender que devem aceitar e respeitar minha nova forma – ou antiga – forma de ser. Então, eu acabo fazendo outras coisas que amo e me fazem feliz, sozinha. Coisas que sei que me fazem feliz e faço com frequência: ler, passar o dia fazendo maratona de séries ou filmes, escutar músicas antigas (rock, jazz, clássica ou até os pops da minha infância). E sabe o que é pior? Escrever esse mini texto para ti, como resposta ao teu texto, e perceber que mesmo percebendo tudo isso a algum tempo, eu insisto em continuar com as mesmas amizades, da mesma forma, no mesmo lugar. Embora eu esteja correndo bastante atrás de coisas que eu desejava a muito tempo, e isso tem me feito extremamente feliz, satisfeita e orgulhosa de mim mesma. Enfim, agradeço por esse post incrível, que obviamente estou compartilhando no meu face e twitter. Acho que todos devem ler.

    Beijos,
    Blog Gaby DahmerFanpage

    Bruna Zbk respondeu:

    Gaby, fico extremamente feliz que esse post tenha te ajudado de alguma forma. Uma das coisas que acho a maior loucura no mundo é como desenvolvemos essa tendência de simplesmente seguir um rumo sem contestá-lo. Vemos tanta gente pregando felicidade e bem estar de uma determinada maneira que podemos até nos sentir deslocados por aquilo não fazer muito sentido para nós. E, além disso, tem essa questão que você abordou: fases de vida. Nem todo mundo muda, mas a maioria de nós sim. Descobrimos diferentes atividades, gostos, preferências, enfim, e, convenhamos, isso é tão legal que precisa ser valorizado. Eu também já tentei seguir ritmo de amigos, por exemplo, até que não deu mais. O bom aqui é achar um momento que seja bom para todos. 🙂 Lembra sempre desse sentimento de satisfação e orgulho que você sente por si mesma quando vive e/ou conquista algo que te faz bem e feliz! ♥
    E muito obrigada por compartilhar um pouco da sua vida aqui comigo! 🙂
    Beijão!

  • Bruna obrigada por esse texto!
    Eu estava começando a me sentir culpada (de verdade) por ver várias pessoas me dizendo que não sei aproveitar o melhor da vida. Mas é como vc mesma disse.. ás vezes o que te faz feliz, não me faz e pronto..
    Guardei o seu artigo pra vida <3

    http://www.saidaminhalente.com

    Bruna Zbk respondeu:

    Clayci, fico tão feliz de ter te ajudado de alguma forma! Eu também já me questionei sobre algumas coisas (principalmente por ter um perfil mais reservado) com base no que ouvia de outros, mas só a gente consegue saber realmente o que nos faz bem. E cada vez mais eu entendo que é fundamental escutar o que está dentro de nós, pois todo o resto será consequência disso. 🙂
    Obrigada por compartilhar isso comigo! ♥

  • Essa história do “serei feliz quando…” é tão real, que nem sei. Às vezes passamos tanto tempo criando condições que nos esquecemos de ser feliz de fato. Mas nem esse hábito é motivo para ser infeliz. Acredito que o primeiro passo seja nos aceitarmos, do jeitinho que somos. Sem julgamentos ou pensamentos negativos. Obrigada por sempre compartilhar seus aprendizados Bruna, bj!

    http://www.breakfortea.com

    Bruna Zbk respondeu:

    Exatamente, Thay. Quando nos aceitamos, nos permitimos tantas outras coisas positivas! Obrigada por sempre estar aqui. Saber que você gosta do que eu escrevo me faz bem, hehe. ♥ 🙂

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