O mundo (ainda) não está preparado para o cadeirante

O mundo (ainda) não está preparado para o cadeirante

Estou vendo o tema ‘cadeirante’/’pessoas com deficiência’ ser um pouco mais abordado nos programas de televisão, filmes e livros recentemente lançados e que estão fazendo sucesso considerável, principalmente entre jovens. Por esse motivo, resolvi pegar o gancho e escrever um pouquinho aqui para vocês, mas de uma forma mais real, dando uma percepção mais concreta sobre a realidade da situação.

Muitos de vocês devem estar se questionando sobre como eu tenho essa “percepção mais concreta”, certo? Não sei se vocês lembram, mas algum tempo atrás, em um dos posts da Bruna, ela comentou sobre a irmã que tem uma limitação física. Bom, como ela tem uma só irmã (que a gente saiba, hehe), a pessoa em questão era eu. Sou uma cadeirante.

Já passou da hora de todos saberem como o nosso mundo – que é o mesmo mundo das chamadas “pessoas normais” – funciona. Nós precisamos que todos prestem um pouco mais de atenção em questões e situações do dia a dia para que nossas necessidades sejam (melhor) atendidas. Dessa forma, vou tentar trazer para vocês algumas situações que aconteceram comigo, com pessoas também portadoras de alguma deficiência conhecidas minhas ou que tenham chegado ao meu conhecimento sobre a forma como a sociedade vê/trata um cadeirante. (Mas sem generalização, ok?)

Obstáculos no dia a dia

Vocês assistiram às Paralimpíadas que ocorreram no Rio de Janeiro no mês de setembro? Acompanhei todos os dias e todas as modalidades que consegui, conforme o meu tempo livre, e gostei demais. Me impressionei como aquelas pessoas, mesmo com tantas dificuldades, conseguiam se superar e alcançar resultados incríveis – às vezes é um grande tapa na cara, não é mesmo? Porém, não é exatamente das competições que eu queria falar, mas sim sobre algumas coisas que foram (e que não foram) mostradas. Algumas também que geraram uma polêmica que, na minha opinião, deixou claro o que uma parcela (infelizmente razoavelmente considerável) da população do país pensa sobre o assunto.

A cerimônia de abertura foi linda e, indiscutivelmente, de um ótimo gosto. (Inclusive, muito melhor do que a da Copa do Mundo – competição mais reconhecida, divulgada e, especialmente, patrocinada). Foi nela que um dos maiores ‘dramas’ de cadeirantes ou de pessoas com mobilidade reduzida foi retratado: a dificuldade de acesso. O ex-nadador Clodoaldo Silva, medalhista Paralímpico em várias edições dos Jogos e responsável pelo acendimento da Tocha Paralímpica, se deparou um uma escada enorme que impossibilitaria sua chegada até a Pira. Porém, a escada se desencaixou, formando uma rampa, e ele pode, enfim, realizar o procedimento para o qual tinha sido escalado. (Para quem não viu ou para quem quiser rever, o vídeo pode ser acessado neste link.) Eu não vou entrar no mérito de que eu, sozinha, na cadeira manual, não conseguiria subir aqueles lances de rampa, ainda mais na chuva torrencial que caia no Rio de Janeiro naquele dia; me reservo ao direito de ficar (super) feliz por essa realidade ter sido mostrada naquele momento, porém, infelizmente, esse momento fundamental como uma tentativa de melhorar algumas coisas – ainda que mínimas – não foi televisionado pela mídia aberta.

Nós temos, sim, obstáculos em praticamente todos os momentos dos nossos dias. Vocês já pensaram sobre como deve ser não poder entrar, sozinho, em um lugar? Eu tenho um birra de dizer que, se o esforço for demais e/ou se eu precisar de ajuda de outra pessoa para ter acesso a um estabelecimento, por exemplo, nem me convidem. Claro que, com a cabeça fria, eu entendo que tal pensamento não é correto, pois minha condição não deve me privar de ter uma vida ~normal~, entretanto, seria TÃO mais fácil (e justo) um acesso igualitário, não é mesmo? Portas estreitas e degraus em toda a parte em construções novas me tiram do sério. Além disso, a maioria das pessoas, quando tem a opção de acesso tanto por escada quanta por rampa, acabam utilizando a rampa. Por quê? Bom, porque é mais fácil. #PorUmMundoSemEscadas 🙂

Visibilidade

Eu vejo muita gente opinando sobre várias coisas das quais não entendem, mas, ei, pelo menos, assim, um assunto importante pode entrar em evidência.

Ainda sobre as olimpíadas, vocês devem lembrar de que, alguns dias antes dos jogos começarem, foi lançada a campanha “Somos Todos Paralímpicos”, estrelada pela Cleo Pires e pelo Paulo Vilhena (a Cleo estava sem um braço e o Paulo sem uma perna). No dia do lançamento da campanha, o Facebook lotou de comentários e compartilhamentos – vi inúmeras vezes a reportagem, mas, em um primeiro momento, não dei muita atenção (mais por estar bastante ocupada no dia em questão). Quando tive a oportunidade de entrar nas matérias sobre o assunto, resolvi que, primeiro, iria ler os comentários. Não faço muito isso, pois geralmente os comentários não acrescentam positivamente na minha vida, mas estava curiosa demais. Constatei o que eu já esperava: apesar dos elogios, eram muitas as críticas. A maioria dizia que atletas deviam ter sido pegos para realizar a campanha, e não os atores ‘perfeitos’, mesmo eles sendo Embaixadores do Comitê Paralímpico Brasileiro. Esse mesmo pensamento passou pela minha cabeça inicialmente, mas depois de ler bastante sobre o assunto, refletir e, posteriormente, ouvir o depoimento dado pela atriz, cheguei à conclusão de que a decisão foi acertada. O fato de terem sido usados atores conhecidos no país para realizar a campanha deu visibilidade ao movimento paralímpico e, também, para todos os portadores de deficiências. Isso, infelizmente, é algo que não seria possível caso tivessem escolhido pessoas ‘comuns’. Nós conhecemos muito pouco de seus nomes e menos ainda da realidade em que esses atletas vivem.

Não foi a primeira nem a última vez em que coisinhas ‘polêmicas’ acabam sendo usadas para chamar a atenção do público. E, entendam, tudo o que faz pelo menos uma pessoa pensar sobre uma realidade diferente é bastante válido. Algum de vocês lembra de situações em que fizeram tal reflexão? Eu gostaria de saber.

Algumas de minhas experiências

Recentemente realizei uma viagem (que eu vou contar direitinho os detalhes aqui no Moderando em algum próximo post) e ela acabou sendo um pouco diferente do que estou acostumada. Normalmente viajamos (em família) de carro, mas, dessa vez, meu pai não poderia nos acompanhar e acabou ficando mais fácil ir de ônibus com a minha mãe. Eu tenho sorte de ter outras opções, pois tem muita coisa errada e atrasada por aí – coisas que precisam ser urgentemente revistas, até porque, na maioria das vezes, são coisas simples.

Começando pelos ônibus. Mesmo novos, nenhum deles tinha elevador (inclusive, a Bru está esperando até hoje uma resposta da empresa) e, ainda assim, apresentam o adesivo de acessibilidade para dar a falsa impressão de que a empresa se preocupa com essa questão. Na minha percepção, tal adesivo só serve para dizer que, ok, nós podemos andar de ônibus, porém, para entrar nele, precisamos que alguém nos carregue (e precisa ser alguém forte, já que aquela escadinha é bem apertada). Espero que vocês entendam meu desânimo nessa questão, pois já pensaram em como vocês se sentiriam tendo que ser carregados por um estranho? Não é legal. Os motoristas que nos ajudaram foram, em sua maioria, bastante prestativos, entretanto, a situação pode ser chata para eles também. (E não só para a pessoa que precisa de ajuda.)

As pessoas, de uma forma geral, também costumam ser ~difíceis~. Não me entendam mal; eu sei que tem muita gente legal e preocupada com o bem estar do próximo, mas o que mais se percebe é que incômodo para muitos coisas simples como ceder seu lugar para que pessoas com quaisquer tipos de dificuldades tenham um atendimento preferencial. No avião podemos entrar antes, mas somos os últimos a sair, pois adoram formar filas antes mesmo de a aeronave parar por completo.

Eu nunca na minha vida pedi para passar na frente em alguma fila, pois me sinto desconfortável e não gosto disso, afinal, não me acho diferente de ninguém e recuso um tratamento diferenciado – aliás, esse sentimento é compartilhado por todos os cadeirantes que eu conheço. Porém, tratamento diferenciado não significa a mesma coisa que tratamento preferencial, e não se pode negar que existem situações em que precisamos de um maior auxílio. O tempo e a forma de acomodação é só um exemplo disso.

Diquinhas da Mi

Não quero deixar o post longo e cansativo, por isso não vou entrar a fundo em algumas questões no momento. Entretanto, há algumas coisinhas que eu gostaria que todos soubessem, entendessem e levassem para a vida:

1. Nós somos normais, peeps. Eu garanto que eu sou – quer dizer, mais ou menos, tenho tendência a ser ~levemente louca~ às vezes, mas que pessoa nos seus 20 anos não é? De resto, a pessoa que vos escreve aqui é igual a cada um de vocês, leitores. A diferença é que eu rodo (e isso pode ser muito legal).

2. Cadeirante não é radioativo e deficiência não é contagiosa. Pode chegar perto, pode conversar, pode perguntar (desde que com respeito, sem ser muito invasivo e sem fazer muita insistência em um primeiro momento, já que, como somos pessoas como quaisquer outras, podemos não querer abrir muitos detalhes pessoais para  desconhecidos). Pode também, especialmente, ser nosso amigo – nós somos amorzinhos! <3 #EuMeVoluntario

3. Cuidem com as palavras, pois elas realmente machucam. Eu nunca dei muita bola para isso e realmente não me importo se alguém me chamar de deficiente, mas muitos portadores de deficiência acham a palavra bastante pesada. Porém, eu (e muitos outros) me sinto mal quando escuto alguém chamando outra pessoa de deficiente em tom pejorativo para substituir palavras como ‘idiota’. Vi conhecidos fazerem isso várias vezes e fico feliz que, após explicar meus motivos para achar a atitude errada, tal situação não voltou a acontecer. Se alguém aqui faz, já fez e/ou conhece alguém que faz isso, eu peço que parem, pensem e entendam que não é legal, gente. (Eu garanto que não.)

Eu também já fui chamada de paralítica, algo que doeu no fundo do coração, de verdade. Levei um choque na hora, não sabia nem como responder à pergunta que havia sido feita, por ter sido pega de surpresa pela expressão. Tudo bem que era um senhor mais velho, que ele muito provavelmente não falou por mal, que a palavra devia ser usada nos seus tempos de juventude e que deve ter sido a forma como ele aprendeu a chamar pessoas com deficiência, mas eu nunca tinha ouvido ela diretamente para mim e fiquei um bom tempo sem saber lidar com a situação. Foi um baque bem grande e eu espero que ninguém tenha que passar por uma situação tão chata quanto essa foi para mim.

Outra coisa: nunca, jamais, sob hipótese alguma, usem a palavra ‘especial’ para se referir a um portador de deficiência, seja ela do tipo ou grau que for. De novo, eu sei que a maioria das pessoas fala isso na melhor das intenções e por achar que é o correto (ou por ter sido ensinada que essa é a palavra correta ou por n motivos), mas não é. ‘Especial’ é o oposto do que a gente quer, pois, como a palavra mesmo diz, torna as coisas especiais, diferentes, desiguais, quando tudo o que queremos é igualdade. Então, se possível, risquem essas palavras dos seus dicionários, a Mi agradece. 🙂

Por fim…

Eu ficaria muito feliz se vocês resolvessem dar uma atenção especial para assuntos como esse. Nós queremos que mais discussões sejam feitas nos meios em que nos são habituais, pois muitas das nossas vivências depende das condições que nos são oferecidas. Não é vitimismo – bem longe disso –, é apenas um desejo de que haja mais respeito e empatia em nossa sociedade. Não falam há anos que os idosos, em sua maioria, acabam tendo limitações em certa altura da vida? Não espere chegar lá para reclamar sobre como as calçadas são um caos ou sobre como aquelas escadas lindas na entrada de um prédio são um obstáculo.

Em outros momentos, vou contar um pouquinho mais sobre questões do tipo. Se for de seu interesse, eu fico à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas ou curiosidades. 🙂

E só uma última observação: não podemos focar apenas no que está errado, concordam? Tem MUITA gente boa por aí, que se preocupa verdadeiramente com os outros e que tenta transformar o caótico em um lugar melhor. *Estrelinha no caderninho de todas.* E eu sou muito grata por elas todas. Precisamos de vocês no mundo. ❤️

  • Adorei o post… realmente devemos olhar mais para as atitudes e se colocar no lugar do próximo. Beijos linda

    milenasantanablog.com.br

    Camila respondeu:

    Empatia é basicamente a solução para os problemas do mundo… Mas aos pouquinhos conseguimos! Beijos e obrigada pela visita!

  • Esse post é muuuito importante! <3 Tem um podcast do Dragões de Garagem e um dos Mamilos sobre acessibilidade que mudou minha forma de ver muita coisa. Todas as limitações que deficientes físicos têm, poderiam ser evitadas com acessibilidade, mas não nos preocupamos com isso. 🙁

    Camila respondeu:

    Quando não se vive/conhece a realidade, é muito difícil entendê-la, pensar sobre ela e agir para mudar as coisas, por isso a importância de falar sobre assuntos importantes. Obrigada pelo carinho e pela indicação dos podcasts, vou procurar aqui.

  • Oi, Mi o/
    Cara, achei o seu post genial. De verdade! É muito importante haver conteúdo assim, porque às vezes a gente fala/faz coisas idiotas e nem se toca (e isso não é só em relação a cadeirantes, vamos combinar que dar gafes é comum em qualquer situação – tipo quando falam “opção sexual” ao invés de “orientação sexual”).
    Eu simplesmente AMEI as duas cerimônias, de abertura e de encerramento, das Paralimpíadas. Mostrou pelo menos um pouquinho da realidade dos portadores de deficiência (ó a trouxa aqui com medo de ter falado errado – assim pode falar ou não? me ajuda, help), e que muuuuuita coisa ainda tem que ser feita. Fiquei chocada com esse negócio do ônibus ter o adesivo só de fachada! O que é isso, Brasil? Depois o povo ainda reclama de político desonesto, né? Fala sério -.-
    Também fico feliz com as pessoas que entendem (ou pelo menos tentam entender) e ajudam. Parafraseando Deus, crescei e multiplicai-vos HAHAHAH (aloka das piadinhas ruins).
    Beijos!

    PS: Tô MUITO feliz que vocês voltaram a postar!

    claramenteinsana.com

    Camila respondeu:

    Oi, Duane o/
    MUITOS vezes saí no “automático” mesmo determinadas palavras/atitudes, e, muitas vezes a pessoas não faz por mal, é tudo fruto do desconhecimento sobre o assunto – seja ele qual for.
    AMEI as cerimônias e fiquei muito feliz que retrataram ao menos um pouquinho da realidade (e pode falar portador de deficiência, sim hahahaha esse e pessoa com deficiência são os termos considerados “corretos”) e, dessa forma, talvez as coisas comecem a melhorar, para todos nós!
    Quanto ao ônibus… olha, não sei se choro ou rio, porque olha, sinceramente… Não dá para reclamar dos governantes quando VOCÊ não faz o certo mesmo (ainda que seja papel do governo fiscalizar essas também né…)
    Adorei a piadinha e super concordo contigo hahahahaha.

    Ps: super emocionada que tinha gente sentindo nossa ‘falta’, comassim, mundo? HAHAHAAHA. MUITO OBRIGADA pelo carinho, Duane! Moderando is back! kkkkk

  • Esse post está perfeito!! Espero que as pessoas fiquem a cada dia mais engajadas a deixar o mundo melhor para o próximo.
    O fato do ônibus por exemplo, por ser um meio de transporte desse tipo, deveria obrigatoriamente atender as necessidades de cada passageiro.
    Eu imagino a sua luta e parabéns pela força!
    Parabéns mesmo!
    Beijos
    BlogCarolNM
    FanPage

    Camila respondeu:

    Que Deus te ouça, Carol! Precisamos de muitas pessoas com estrelinha no caderninho hahahaha.
    Ônibus da cidade mesmo geralmente tem o elevador, não sei o motivo para o de viagens longas não terem, não sei mesmo. Mas concordo contigo, deveria atender a TODOS, pois como o nome já diz, é transporte coletivo, ou seja, mais pessoas, e todas as pessoas tem suas necessidades próprias.
    Obrigada pelo carinho! Beijo.

  • De pé batendo palmas pro seu post.

    Melhor frase ” A diferença é que eu rodo “.

    Sempre me perguntei pq não fazem só ampas, já que TODOS podem utilizá-las. E você falou a mesma coisa.

    Post maravilhoso, esclarecedor e cheio de amor. PARABÉNS!

    Camila respondeu:

    Minha amiga fez o mesmo comentário sobre essa frase e vou dar a mesma resposta que dei a ela: não pude evitar a brincadeira! hahaha.
    Pois é, né. Rampas simplificam a vida de todo mundo. Se existe a opção, grande parte das pessoas acabam a utilizando. Então, por que tão pouco disponibilizada?
    Muito obrigada pelo carinho, Chell! E obrigada pela visita 🙂

  • Não fazia ideia de que você é uma cadeirante. Parabéns pelo post! É difícil as pessoas que não passam por isso terem noção da dificuldade que é para um cadeirante essas limitações do dia-a-dia. Aliás, já estava mais do que na hora de abordarmos esse assunto com mais frequência e de maneira mais realista. Amei <3
    Beijos,
    #fiquerosa

    Fique Rosa | Meu Canal YT

    Camila respondeu:

    Pois é, Re… Eu não queria expor isso desde o começo por… na verdade eu não sei bem o motivo, só não achei legal colocar isso no sobre, entende? Mas no fim resolvi que sim, era importante trazer o assunto nos posts, e é isso que eu pretendo fazer (sim, vem mais post do assunto por aí, me aguentem agora hahaha). Sabe, é difícil a gente entender qualquer situação pela qual não passamos, muito difícil pensar e ter uma visão interna da coisa, quando você não vive a situação. Mas sempre podemos tentar, né? Obrigada pelo carinho <3 Beijoss

  • Que post Camila, que post. Já me fisgou desde o título e foi me surpreendendo a cada linha depois. Ainda há muito o que ser feito e adorei ver você fazer sua voz ser ouvida!!!

    Camila respondeu:

    Obrigada, Lolo! (Vi no e-mail e tomei a liberdade de chamar assim, espero que eu possa hahaha)
    Fico muito feliz que tenha gostado <3

  • Eu como jornalista sempre me preocupei bastante em expor esses tipos de situações. Infelizmente é uma voz que não me cabe, principalmente por falta de compreensão total de como é a realidade de quem vive assim.
    Mas fico muito feliz em ler seu compartilhamento, acredito que posso entender um pouco melhor como vocês se sentem e aplicar isso no meu trabalho diário de quebrar uns paradigmas por aí!

    Desejo tudo de bom e do melhor, Camila!

    Beijos.

    Camila respondeu:

    Muito obrigada, Jade! Fico muito feliz que tenha gostado e que vá servir para você em sua vida pessoal e em seu trabalho. Estrelinha para a pessoa que você é *-* Muito obrigada mesmo, o mundo precisa de mais pessoas como você <3

    Tudo de melhor para você também, Jade!
    Beijos.

  • Que impactante esse seu texto, achei emocionante ver tudo com seus olhos e as pequenas coisas que fazem toda a diferença, que muita gente nem nota e que são dificuldades imensas para quem é cadeirante. Sempre que vou em museu ou locais públicos, eu observo direto essa questão da acessibilidade, essa parte de mobilidade urbana, transportes e pensar as cidades pra todos me fascina. Obrigada por compartilhar seus pensamentos.


    Beijos
    Brilho de Aluguel

    Camila respondeu:

    Sério que você gosta de ver tudo isso? Meu Deus, achei que era apenas coisa “nossa” hahaha, mas que bom, que bom mesmo que você se preocupa com isso! Exatamente, o que não diferença para muitos, faz uma grande diferença para outros, só não estamos acostumados a perceber tudo isso… Com o tempo – e expondo as realidades – a gente consegue, vamos confiar nisso!
    Obrigada pelo carinho <3
    Beijos

  • Camila que coisa mais linda esse seu post ❤

    Antes de mais nada quero te dar os parabéns pela sua atitude em escrever esse conteúdo incrível. Eu espero que um dia o mundo esteja preparando para aceitar e saber lidar com as pessoas com deficiência.

    Segundo, amei a sua foto. Que fofura! Haha ✨
    Beijos e continue assim, tá?

    Camila respondeu:

    Na verdade eu espero que algum dia o mundo esteja preparado para aceitar e saber lidar com as pessoas de forma geral, afinal todos nós temos nossas particularidades, aquelas coisas que não “se encaixam” no padrão definido pela sociedade.
    Obrigada pelo carinho de sempre, Vivi! Adoro ler seus comentários!
    Sobre a foto: repara na loucura da pessoa não, ok? Que vergonha dessa foto em um post, mas agora já foi hahahaha
    Beijos!

  • Oi Cami, tudo bem?
    Nossa, que post bacana!
    Muito, muito importante mesmo discutirmos esse assunto. Fiquei horrorizada com a história do ônibus Cami… =/ Poxa vida, ter o adesivo e não ter a acessibilidade de fato, isso é muito errado, erradíssimo!
    Espero que o mundo se desperte para isso, o mais rápido possível!
    Parabéns pelo post! =)

    Ps: tem post novo no blog Cami!

    Beijos
    Amanda Z.
    http://www.amandazulai.com.br

    Camila respondeu:

    Oi Amanda! Tudo ótimo, e com você?

    Então, eu também fiquei bem chocada de saber que permitem que essas coisas aconteçam, sabe? E o pior é que não é apenas isso, são várias coisinhas pequenas, que poderiam ser facilmente mudadas, mas que no fim viram uma bola de neve e fica tudo como está… ou pior :/
    Mas vamos acreditar que as coisas vão melhorar o/

    Obrigada pelo carinho, beijo!

  • Foii maravilhoso ler esse post, na minha cidade mesmo eu vejo situações com cadeirantes na qual sinto vergonha alheia de um governo tão medíocre. Já presenciei situações na qual cadeirantes tinham que “pular” com cadeiras sobre meio fio para não andarem entre os carros, é triste ver isso!
    Espero que seu post abra a mente de muitas pessoas.

    Beijooo

    Blog >> http://www.seteprimaveras.com

    Camila respondeu:

    Essa e várias outras situações infelizmente são bem corriqueiras, Gabs :/ Esse caso de mobilidade urbana é realmente questão de responsabilidade do governo, mas tem MUITA coisa que poderíamos fazer e não fazemos, então não podemos dizer que apenas eles são omissos, (apesar de serem bastante omissos, vamos ser sinceras) todo mundo tem a sua parcela de culpa… Todo mundo precisa mudar.

    Obrigada pelo carinho.
    Beijos!

  • OI CAMILA

    muito legal você vir aqui falar de um jeito tão amorzinho e descomplicado com a gente *-* Sinceramente, acho que esse tipo de post de conscientização pode abrir a mente de muitas pessoas que, as vezes por ignorância, acabam sendo indelicadas na hora de tentar uma conversa.
    Observo na minha cidade MUITA dificuldade pra quem tem limitações. Acredita que, ao atravessar uma rua, percebi que de um lado da calçada tinha rampa pra cadeirante, mas no outro lado da calçada – o ponto a se chegar, né – não tinha a mesma rampa. TIPO: OI? Projeto meio estranho, né?

    espero que o teu post consiga tocar muita pessoas e que o mundo torne-se mais harmônico pra todo mundo conviver bem!

    beeeeeijo
    beinghellz.com

    Camila respondeu:

    OI HELLZ

    Que bom que você gostou da forma com que o post foi escrito, a intenção era justamente essa, que ficasse algo leve (sem cobranças, termos “técnicos”, coitadismo e etc) e que, algo mesmo tempo fosse informativo, que bom que consegui!
    Então, não acredito que seja ignorância das pessoas, sabe? É puramente desconhecimento. Se não falamos sobre, como as pessoas irão saber a forma certa de lidar? Vamos concordar que fica complicado…
    Rampa em apenas um lado da rua é mais comum que tudo na vida, Hellz, infelizmente. E a gente acaba tendo que rir, porque certas coisas não tem o menor cabimento mesmo hahaha.

    Espero o mesmo que você, viu. Espero mesmo.

    Obrigada pelo carinho <3
    Beeeeeijosss

  • Olha, vou confessar que eu tenho a incrivel ideia de me por no lugar dos outros, sempre. Eu não sei porque isso acontece ou o porque eu sou assim, eu tava falando esses dias com meu namorado na parada livre da minha cidade, eu não sou trans, mas eu me identifico tanto que dói em mim quando uma trans é agredida, eu luto por elas, eu me ponho tanto no lugar delas que as vezes eu sofro junto e percebi que não é só nesse caso. Lendo o post eu me lembro de várias vezes que eu me pus no lugar do outro e fiz o que gostariam que fizessem por mim.

    O caso dos cadeirantes é um deles. Uma coisa que sempre me preocupem em fazer é nunca, em hipótese alguma ficar olhando. Deve ser muito constrangedor você estar fazendo suas atividades e as pessoas te olharem com aquele olhar de pena ou surpresa. Eu busco sempre tratar aquela pessoa normalmente como eu trato qualquer um.
    Eu me irrito demais quando vejo carro estacionado nas rampas, me apavoro e fico com raiva com a falta de acesso que o país dá. Geralmente as poucas rampas que tem são horrorosas. E eu acho que falta isso no mundo sabe?! A falta de empatia. Quanto mais a gente se põe no lugar do outro, mais o mundo evolui.

    Eu acho que isso vem da minha criação mesmo.

    Várias vezes aconteceu do cadeirante ir descer ou subir no ônibus e a rampa estragar e todo mundo ter que descer e as pessoas ficam bravas ainda, imagina a situação daquela pessoa… Eu tento ser o mais gentil possível.

    Eu li uma vez que a porta do meio, que é onde ficam as rampas nem deveriam ser usadas normalmente pois é descendo por ela que ela estraga e a maioria do ônibus desce por ali. Depois que eu li isso eu vou até a porta dos fundos pra descer. E eu realmente queria que o mundo soubesse disso, não é só os políticos, nós também temos que nos preocupar. Eu já entrei em brigas feias por defender “a minoria” e não me arrependo, faria tudo de novo.

    Enfim, to comentando demais… Mas quero que saiba que o mundo não está perdido, um dia nós viveremos em um mundo melhor, nem que a gente tenha que lutar até o fim!

    Vou compartilhar esse post o máximo que eu conseguir, é assim que a gente abre os olhos das pessoas!

    Carol | Pink is not Rose

    Camila respondeu:

    Primeiro: AMEEEEEI O COMENTÁRIO ENORME!!! De verdade, gosto muito hahaha

    Segundo: O mundo precisa urgentemente de mais pessoas como você, precisa MESMO! Milhões de estrelinhas no caderninho para você, moça! Coleguinhas, vamos aprender com a tia Carol? hahahaha. Brincadeiras à parte, eu preciso realmente te agradecer por você ser como você é, agradeço por ter pessoas como você no mundo. Reaviva a esperança, sabe?
    Continue assim, tá? Você vai longe, menina!

    Terceiro: Agradeço demais se você compartilhar com pessoas próximas de você, ajuda mais do que você pode imaginar! <3

    Quarto: "Mas quero que saiba que o mundo não está perdido, um dia nós viveremos em um mundo melhor, nem que a gente tenha que lutar até o fim!" Deixa eu te colocar em um potinho? hahaha. Sério, QUE AMOR DE PESSOA! <3

    Quinto: Mais uma vez, OBRIGADA!

  • Ah cara, que post importante! Sempre que eu entro aqui no Moderando eu saio com uma visão diferente e muito melhor do que a que eu tinha antes. Eu achei muito sem noção não terem televisionado a abertura na TV aberta, eu conheço pessoas que nem sabiam da existência das Paralimpíadas e se fosse mais divulgado na mídia teria muito mais público… Sobre a história da Cleo e do Paulo, eu fui uma dessas pessoas que ficaram indignadas, mas depois parei pra pensar e cheguei na mesma conclusão que você. E sobre as suas diquinhas, vou levar pra vida! Eu até hoje chamava portadores de deficiência de “especiais”, mas obrigada por explicar que é errado. Vou tentar substituir essa palavra a partir de agora. Amei muito o post, de verdade, obrigada!
    Um beijão,
    Gabi do likegabs.blogspot.com ♡

    Camila respondeu:

    Que amada!!! Agradeço em nome de toda equipe do Moderando. Ficamos MUITO FELIZES que o que a gente escreve por aqui contribua positivamente para a sua vida!

    Achei estranho o fato de nenhuma emissora ter transmitido, achei mesmo. Se uma foi transmitida, a outra não deveria ter sido também? Para mim é uma questão de lógicas, mas parece que não é o mesmo para todo mundo…

    QUE ÓTIMO que você gostou das diquinhas hahaha, fico muito feliz mesmo!

    Obrigada pelo carinho <3
    Beijão, Gabi

  • Cadê os posts, cadê Moderando, cadê minha dose semanal de informação bloguística, ai… Tô na abstinência dos posts de vocês mesmo HAHAHAH.

    Bruna respondeu:

    Duuuuu, desculpa!! A gente anda numa correria só (cada uma com suas coisas), MAS vem novidade por aí — espero que logo, hahahah. Bjsss!

  • Muito bom o post… brasileiro não sabe pensar pelo próximo a menos que passe pela mesma situação, uma pena…
    beijo
    http://www.tatices.com

  • Nah

    Eu tenho uma amiga cadeirante e já passei por muitos problemas de acessibilidade ao sair com ela. Não há muito empenho por parte das pessoas em tornar os lugares acessíveis a todos.

    Quanto ao evento das Paraolimpíadas, achei um absurdo não ter a abertura televisionada. Trabalhei diretamente com elas, mas não consegui assistir à cerimônia.

    O que mais me incomoda é o acesso aos meios de transporte, especialmente aos ônibus. Além de ser péssimo pra subir (muitos não têm a plataforma móvel e a pessoa depende de ser carregada pra dentro do veículo), os corredores são apertados.

    Esse post foi incrível!

    Chiquereza

  • Amei e fui tocada profundamente pelo seu post. Deve ser uma barra viver em um mundo assim tão despreparado. Amei as suas dicas! Que Deus sempre cuide de você.

    http://www.nandadoria.com.br

  • Amei o texto e o seu relato.
    Sou recém formada em Arquitetura e Urbanismo e estudei bastante acessibilidade. Vi muita norma do que poderia ser melhorado na cidade e nos espaços públicos em geral. Mesmo assim, a gente sabe que essas normas não se aplicam à todas as pessoas que tem alguma deficiência ou mobilidade reduzida, porque cada caso é um caso.
    Meu namorado apresentou o TCC dele voltado pra esse tema, e um dos autores que ele estudou fala que não são as pessoas que são deficientes, e sim o espaço que é deficiente, pois ele não consegue receber todas as pessoas de forma confortável/acessível.

    Bjos :*
    http://www.dicasarqdecor.com.br

  • Barb

    Oi Camila, tudo bem?
    Adorei conhecer seu blog e torço para que o mundo não seja mais despreparado para pessoas com qualquer deficiência. Eu sou estudante de Arquitetura e estudo bastante a questão da acessibilidade, pois sei o quanto ela é importante para todas as pessoas. Acredito que se as pessoas fossem mais conscientes já seria uma grande ajuda, não?
    Parabéns pelo trabalho incrível e toda sorte do mundo para você <3

    Beijos
    barbfurtado.blogspot.com

  • Olá!

    Uau, esse texto sincero me tocou fundo hoje. Eu não sei se já fui uma idiota com um portador de deficiência (conscientemente não), mas desde agora vou prestar bastante atenção. Gostei muito da sua sinceridade e leveza.

    Infelizmente não assisti as paralimpíadas com tanto afinco quanto as olimpíadas, mas torci sim pelos atletas e me alegrei com cada medalha conquistada.
    Não tinha pensado pelo seu ângulo no caso da campanha da Cléo Pires e Paulo Vilhena, mas vc está certa. Como publicitária, deveria ter visto do ponto de vista de maior abrangência de público e a campanha conseguiu isso, até mesmo com a polêmica toda.

    Obrigada por me mostrar o outro lado. Fiquei muito feliz com a leitura.

    Abraço apertado.

  • Gostei bastante do texto e achei bem incentivador tanto para os caderantes , quanto para as pessoas que ainda tem um certo preconceito tipo em empregar um caderante é triste, mas ainda bem que hoje o Brasil tem mudado bastante em relação a isso, pois seus direitos tem que ser servidos;
    beijos!
    http://www.garotadelicada.com.br

  • Com certeza é um tema pouquíssimo abordado. Não sei nos outros países, mas no Brasil a acessibilidade é péssima, tanto no transporte publico, quantos nas ruas, quanto nas instituições e ate mesmo em hospitais que deveriam acolher todos os cidadães igualitariamente!
    Lindo o seu texto, parabéns pela luta!
    Escritas de Verão